Remédio de farmácia para zumbido no ouvido: funciona mesmo?
O zumbido no ouvido afeta milhões de brasileiros e muitos recorrem a remédios de farmácia em busca de alívio rápido. Mas será que essas opções realmente funcionam, ou representam apenas uma esperança passageira? Descubra o que diz a ciência e especialistas brasileiros.
O zumbido no ouvido (tinnitus) é um sintoma, não uma doença única, e por isso nem sempre existe um “remédio de farmácia” que resolva o problema por conta própria. Em alguns casos, medicamentos podem ajudar quando há uma causa tratável (como inflamação, rinite, disfunção temporomandibular ou efeitos de remédios), mas é comum que suplementos e produtos vendidos sem prescrição ofereçam benefícios incertos.
O que é zumbido no ouvido e suas causas
Zumbido é a percepção de som (apito, chiado, pulsação) sem uma fonte externa. Ele pode ser contínuo ou intermitente, em um ou ambos os ouvidos, e variar com estresse, sono e silêncio. Entre as causas mais frequentes estão perda auditiva relacionada à idade ou exposição a ruído, acúmulo de cera, infecções e inflamações de ouvido, rinite/sinusite com disfunção da tuba auditiva, enxaqueca, alterações na articulação temporomandibular (ATM), e efeitos colaterais de medicamentos (alguns anti-inflamatórios, certos antibióticos, diuréticos e quimioterápicos, por exemplo). Há também o zumbido pulsátil, que pode acompanhar o batimento cardíaco e exige avaliação médica para descartar causas vasculares.
Principais remédios de farmácia encontrados no Brasil
Nas farmácias brasileiras, o que costuma aparecer como “para zumbido” se divide em três grupos: (1) tratamentos para condições associadas, (2) fármacos usados em situações específicas e com prescrição, e (3) suplementos. No primeiro grupo entram soluções de remoção de cerúmen (quando indicado), sprays nasais para rinite (geralmente com orientação, especialmente se houver descongestionantes), e analgésicos/anti-inflamatórios para dor associada — lembrando que alguns anti-inflamatórios podem piorar o zumbido em determinadas pessoas.
No segundo grupo aparecem medicamentos que podem ser usados em quadros como vertigem/Doença de Ménière ou suspeitas específicas, sempre com avaliação: por exemplo, betahistina é frequentemente prescrita para vertigem e pode ser citada por pacientes com zumbido, mas não é uma solução universal para tinnitus. No terceiro grupo estão produtos como ginkgo biloba, combinações de vitaminas do complexo B, magnésio, zinco e melatonina. Eles são fáceis de encontrar, porém a resposta é bastante individual e, para muitos, o efeito pode ser discreto ou ausente.
Eficácia comprovada: o que mostram os estudos mais recentes
A evidência científica mais consistente para melhora do impacto do zumbido costuma estar em intervenções não medicamentosas, como terapia sonora (aplicativos, ruído branco, geradores de som), adaptação/uso de aparelhos auditivos quando há perda auditiva, e abordagens psicológicas como terapia cognitivo-comportamental para reduzir incômodo, ansiedade e dificuldade de sono associadas ao sintoma. Para medicamentos e suplementos, os resultados tendem a ser heterogêneos: alguns estudos sugerem benefício em subgrupos (por exemplo, quando há comorbidades como insônia ou ansiedade), mas não há um “comprimido padrão” com eficácia robusta para todos os tipos de zumbido.
Na prática, isso significa que “funciona mesmo?” depende de duas coisas: identificar a causa provável e definir o objetivo realista. Se o zumbido for consequência de cera impactada, tratar a obstrução pode melhorar. Se houver perda auditiva, reabilitação auditiva pode reduzir a percepção do zumbido. Se o problema principal for sono e estresse, tratar esses fatores pode diminuir o incômodo, mesmo que o som não desapareça completamente.
Cuidados ao usar medicamentos sem prescrição
Automedicação pode atrasar o diagnóstico de causas tratáveis e aumentar riscos. Alguns sinais pedem avaliação rápida com otorrinolaringologista: zumbido unilateral persistente, perda auditiva súbita, tontura intensa, secreção no ouvido, dor importante, ou zumbido pulsátil. Também é importante revisar medicamentos em uso: substâncias potencialmente ototóxicas ou que alteram a pressão/irrigação podem contribuir para o sintoma, e a troca/ajuste deve ser feita com o médico.
No mundo real, o custo costuma influenciar a escolha de suplementos e tratamentos sintomáticos, mas é útil encarar esses gastos como uma tentativa com benefício incerto, e não como cura garantida. Em farmácias no Brasil, suplementos (como ginkgo biloba, magnésio ou complexos vitamínicos) variam bastante por marca, concentração e número de cápsulas; já medicamentos de uso específico para vertigem, quando prescritos, também mudam de preço conforme apresentação e fabricante.
| Produto/Serviço | Provider | Cost Estimation |
|---|---|---|
| Ginkgo biloba (extratos/cápsulas) | Marcas diversas em farmácias e genéricos | Em geral, cerca de R$ 20–R$ 120/mês, dependendo da dose e do frasco |
| Complexo B / multivitamínicos | Marcas diversas (farmácias e genéricos) | Em geral, cerca de R$ 15–R$ 80/mês, conforme fórmula e quantidade |
| Magnésio (citrato/quelado, etc.) | Marcas diversas | Em geral, cerca de R$ 25–R$ 120/mês, variando por sal e dosagem |
| Melatonina (quando disponível como suplemento) | Marcas diversas | Em geral, cerca de R$ 30–R$ 150/mês, conforme concentração |
| Betahistina (medicamento sob prescrição) | Referência e genéricos (conforme disponibilidade) | Em geral, cerca de R$ 30–R$ 120/mês, variando por mg e comprimidos |
Preços, taxas ou estimativas de custo mencionadas neste artigo são baseadas nas informações mais recentes disponíveis, mas podem mudar ao longo do tempo. Recomenda-se pesquisa independente antes de tomar decisões financeiras.
Alternativas e tratamentos recomendados por especialistas brasileiros
Quando o objetivo é reduzir o incômodo do zumbido e recuperar qualidade de vida, especialistas costumam combinar investigação da causa com estratégias de manejo. A avaliação com otorrinolaringologista e exame de audiometria ajudam a identificar perda auditiva, assimetrias e sinais de alerta. Se houver perda, aparelhos auditivos podem diminuir a percepção do zumbido ao enriquecer o ambiente sonoro. Terapias sonoras (ruído branco, sons de natureza, geradores de som) podem reduzir a “saliência” do zumbido, especialmente em ambientes silenciosos.
Também vale abordar fatores que frequentemente pioram o sintoma: privação de sono, estresse, ansiedade, consumo excessivo de cafeína/álcool em pessoas sensíveis, e bruxismo/ATM. Em alguns casos, fisioterapia para ATM e pescoço, tratamento de rinite, ou ajuste de medicamentos que estejam agravando o quadro fazem diferença. Para quem sofre com insônia ou ansiedade associada, o foco pode ser tratar essas condições com acompanhamento profissional, em vez de buscar um único remédio “para zumbido”.
Este artigo é apenas para fins informativos e não deve ser considerado aconselhamento médico. Consulte um profissional de saúde qualificado para orientação e tratamento personalizados.
Em resumo, remédio de farmácia pode ajudar em situações específicas (quando trata uma causa identificável ou um sintoma associado), mas a eficácia para “curar” zumbido de forma geral é limitada e variável. A melhor abordagem costuma ser diagnosticar o que está por trás do sintoma e combinar intervenções com evidência e segurança, ajustadas ao seu perfil e aos seus gatilhos.