Perda auditiva: tipos, graus e o que significa CID H90
A perda auditiva afeta milhões de brasileiros e pode comprometer desde a vida escolar das crianças até o convívio social dos idosos. Em 2026, conhecer os tipos, graus e o significado do CID H90 é fundamental para garantir diagnóstico precoce e acesso aos direitos previstos no SUS.
A audição tem papel central na comunicação, no aprendizado e na participação social. Quando ela é comprometida, surgem desafios que vão além da dificuldade de ouvir sons: podem afetar o desenvolvimento da fala, o desempenho escolar, o trabalho e as relações pessoais. No Brasil, conhecer os tipos e graus de perda auditiva e o significado de códigos como o CID H90 é fundamental para acessar o tratamento adequado e os direitos garantidos em lei.
Este artigo tem caráter informativo e não deve ser considerado aconselhamento médico. Consulte um profissional de saúde qualificado para orientação e tratamento individualizados.
O que é perda auditiva e como afeta os brasileiros?
Perda auditiva é a dificuldade parcial ou total de perceber sons em um ou ambos os ouvidos. Ela pode surgir ao nascimento, na infância, na vida adulta ou na velhice, e pode ser temporária ou permanente. Em muitos casos, evolui lentamente, o que faz com que a pessoa e a família demorem a perceber o problema.
No contexto brasileiro, a perda auditiva se relaciona a fatores variados: infecções de ouvido mal tratadas, exposição constante a ruídos em ambientes de trabalho, uso inadequado de fones de ouvido em volume alto, doenças crônicas como diabetes e hipertensão, envelhecimento e causas genéticas. As consequências vão desde isolamento social e dificuldade de acompanhar conversas até limitações no aprendizado escolar e barreiras no mercado de trabalho.
Tipos de perda auditiva segundo especialistas
Os especialistas costumam classificar a perda auditiva de acordo com a parte do sistema auditivo que foi afetada. Essa classificação é importante porque orienta o tipo de tratamento mais indicado, que pode variar de medicação e cirurgia até o uso de aparelhos auditivos ou implantes.
De forma geral, são descritos três grandes grupos. A perda auditiva condutiva ocorre quando há problemas no ouvido externo ou médio, como acúmulo de cera, otite média, perfuração de tímpano ou alterações nos ossículos. Já a perda auditiva neurossensorial envolve lesões na cóclea (ouvido interno) ou no nervo auditivo, sendo comum em casos de envelhecimento, ruído intenso prolongado e algumas doenças genéticas. Existe ainda a perda auditiva mista, quando a pessoa apresenta, ao mesmo tempo, componentes condutivos e neurossensoriais.
Graus de perda auditiva: de leve a profunda
Além dos tipos, a audiologia classifica a perda auditiva em graus, de acordo com a intensidade mínima de som que a pessoa consegue ouvir em exames como a audiometria. Essa gradação ajuda a prever o impacto funcional da perda e a planejar estratégias de reabilitação e comunicação.
De maneira simplificada, fala-se em perda auditiva leve quando a pessoa tem dificuldade para ouvir sons suaves ou entender fala em ambientes ruidosos; moderada quando já há necessidade de aumentar bastante o volume da televisão ou pedir repetição com frequência; severa quando é difícil compreender a fala mesmo em tom alto e próximo; e profunda quando quase não há percepção de sons ambientais. Cada grau exige abordagens específicas, que podem incluir recursos tecnológicos, treinamento auditivo, leitura labial e adaptações no ambiente escolar ou de trabalho.
O que significa o CID H90 para pacientes e profissionais
O CID é a Classificação Internacional de Doenças, utilizada no Brasil e em outros países para registrar diagnósticos de forma padronizada em prontuários, laudos, relatórios e sistemas de saúde. Dentro dessa classificação, o código H90 está relacionado à perda de audição de origem condutiva, neurossensorial ou mista.
Para o paciente, ver o CID H90 em um laudo médico significa que foi identificado um tipo de perda auditiva estrutural, excluindo, por exemplo, problemas puramente funcionais ou transitórios que não se enquadram nesse código. Para profissionais de saúde e gestores, o uso correto do H90 é essencial para organizar dados epidemiológicos, planejar políticas públicas, definir critérios para fornecimento de aparelhos auditivos e implantes e padronizar pedidos de exames, encaminhamentos e benefícios.
CID H90, laudos e implicações práticas no Brasil
Na prática, o CID H90 costuma aparecer em relatórios de otorrinolaringologistas, fonoaudiólogos e outros profissionais que atuam em serviços de saúde auditiva. Esse registro é frequentemente solicitado em processos de concessão de aparelhos auditivos, implantes cocleares, adaptações escolares e laudos de capacidade laboral.
Em situações de perícia médica, seja no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ou em serviços de reabilitação profissional, o CID H90 ajuda a caracterizar o tipo de perda auditiva e o impacto potencial na vida cotidiana. No entanto, o código por si só não descreve todo o quadro: ele deve ser interpretado junto a informações como grau da perda, ouvido acometido, tempo de evolução, presença de outras doenças e limitações práticas que a pessoa enfrenta no estudo, no trabalho e na comunicação.
Direitos e tratamentos gratuitos pelo SUS em 2026
No Brasil, o Sistema Único de Saúde oferece atendimento gratuito para avaliação, diagnóstico e tratamento da perda auditiva, incluindo, em muitos casos, o fornecimento de aparelhos auditivos e implantes, de acordo com protocolos específicos. Em 2026, os brasileiros com suspeita de perda auditiva podem buscar inicialmente unidades básicas de saúde, que fazem o encaminhamento para serviços especializados, como centros de reabilitação auditiva e hospitais de referência.
Entre os direitos mais relevantes estão o acesso a consultas com otorrinolaringologista, exames audiológicos, terapias fonoaudiológicas e acompanhamento periódico após a adaptação de dispositivos. A legislação brasileira de inclusão da pessoa com deficiência também prevê recursos como atendimento educacional especializado, adaptações no ambiente de trabalho e prioridade em determinados serviços públicos para pessoas com deficiência auditiva comprovada. Em alguns casos, laudos com o CID H90 e descrição dos graus de perda são documentos centrais para solicitação desses direitos.
Convivendo com a perda auditiva e próximo passos
Compreender o que é perda auditiva, seus tipos e graus, bem como o significado de códigos como o CID H90, permite que pacientes e famílias lidem com a situação com mais clareza e menos estigma. O diagnóstico precoce, a escolha adequada de recursos tecnológicos e o apoio de equipes multiprofissionais são fatores que fazem grande diferença na qualidade de vida.
A perda auditiva não se resume ao exame ou ao número de um código; envolve histórias de vida, desafios de comunicação e necessidade de inclusão em todos os espaços. Ao combinar informação de qualidade, acompanhamento em serviços de saúde e conhecimento sobre direitos, torna-se possível construir trajetórias mais autônomas e participativas para pessoas com diferentes formas de perda auditiva em todo o território brasileiro.